quinta-feira, 21 de maio de 2026

Polícia Federal realiza grande operação no Maranhão

A Polícia Federal iniciou, nesta quinta-feira (21/5), a operação Arthros para desarticular organização criminosa responsável por desvio de recursos públicos e financiamento ilícito de campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024 no Maranhão. As diligências foram realizadas nas cidades de São Luís, Paço do Lumiar, Barreirinhas, Codó, Matões e Teresina-PI.

As investigações identificaram um esquema estruturado e sofisticado que utilizava empresas de fachada, contratos simulados e notas fiscais frias para dissimular a origem de recursos públicos, que eram canalizados para campanhas eleitorais. O grupo também operava por meio de contas bancárias de terceiros e realizava saques em espécie e transferências fracionadas, prática típica de lavagem de dinheiro destinada a dificultar o rastreamento das operações.

A apuração revelou que, nos 15 dias que antecederam o pleito eleitoral de 2024, foram movimentados valores superiores a R$ 1,9 milhão, com a distribuição de mais de R$ 1,2 milhão a candidatos e intermediários. Há indícios de que parte significativa desses recursos tenha origem em contratos públicos, desviados para fins eleitorais.

As evidências reunidas demonstram a atuação coordenada dos investigados, que teriam exercido papel central na definição dos valores, escolha dos beneficiários e operacionalização dos repasses, por meio de um verdadeiro gabinete paralelo de financiamento eleitoral ilícito.

Até o momento, foram identificados vários candidatos beneficiados pelo esquema, em diversos municípios do estado. Os repasses ocorriam de forma pulverizada, inclusive por intermédio de pessoas interpostas, indicando clara tentativa de ocultação do destino final dos recursos.

Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, além do afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados, afastamento de quatro servidores públicos e indisponibilidade de bens no valor de R$ 2 milhões.

As medidas visam aprofundar a coleta de provas, identificar a extensão do esquema criminoso, recuperar ativos desviados e interromper a continuidade das práticas ilícitas.

Os investigados poderão responder pelos crimes de caixa dois eleitoral, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra a Administração Pública e desvio de recursos públicos, além de outras infrações penais conexas.

Casa de Rubão 

Um dos alvos daPolícia Federal foi a residência do ex-deputado Rubens Pereira, localizada na região metropolitana de São Luís, onde cumpriu mandado de busca e apreensão.

Ainda não foram divulgadas informações oficiais sobre os motivos da operação que mirou a casa do ex-secretário de Estado de Articulação Política.

Pai do deputado federal Rubens Pereira Júnior (PT), Rubão emitiu nota confirmando que recebeu agentes da PF em sua residência e que o cumprimento do mandato tem relação com investigações relacionadas a supostas irregularidades eleitorais que teriam ocorrido no mesmo período em que ele foi titular da SECAP.

“Em mais de 40 anos de atividade pública, nunca tinha sido alvo de operações como essa, muito menos sobre fatos relacionados a eleições em que nem eu e nem ninguém da minha família fomos candidatos”, disse.

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